quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ainda sem saber o que é amar
mas ainda sentindo amor

De uma labareda construída pouco a pouco, e para sempre. De um resto reminiscente que fica. De todos os lados doídos, o retorno. Da força que se faz, pelos planos recortados e pregados na parede. Com tinta azul que escorre pelas muralhas, para poder dizer algo com ternura. Escorre lentamente, meu amor. Escorre lentamente... Sem sentir o que há do lado de lá, mas ainda assim vendo tudo o que poderia ser. Sempre com saudade de um futuro escondido, ainda não vivido, mas só experimentado como um peixe dentro de um copo d'água que espera ser bebido. Esquecendo do resto, pensando no tudo. Sentindo a terra invadir o piso da sala, do quarto, sujando agradavelmente a cama, fazendo lama para ser confortável. Sentindo a presença, ainda que passível de distância, de esquecimento, de se tornar uma memória cristalizada da família que morreu queimada num incêndio de inquietude na casa de madeira, antes mesmo dessa ser construída. 

Reticente, esperando, até quando.

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