quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ainda sem saber o que é amar
mas ainda sentindo amor

De uma labareda construída pouco a pouco, e para sempre. De um resto reminiscente que fica. De todos os lados doídos, o retorno. Da força que se faz, pelos planos recortados e pregados na parede. Com tinta azul que escorre pelas muralhas, para poder dizer algo com ternura. Escorre lentamente, meu amor. Escorre lentamente... Sem sentir o que há do lado de lá, mas ainda assim vendo tudo o que poderia ser. Sempre com saudade de um futuro escondido, ainda não vivido, mas só experimentado como um peixe dentro de um copo d'água que espera ser bebido. Esquecendo do resto, pensando no tudo. Sentindo a terra invadir o piso da sala, do quarto, sujando agradavelmente a cama, fazendo lama para ser confortável. Sentindo a presença, ainda que passível de distância, de esquecimento, de se tornar uma memória cristalizada da família que morreu queimada num incêndio de inquietude na casa de madeira, antes mesmo dessa ser construída. 

Reticente, esperando, até quando.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

falta vinho na minha veia
falta música no meu mundo
falta o pedaço do mosaico
falta a beira da navalha

terça-feira, 13 de setembro de 2011

eu me lembro
de sentar na cadeira de metal
olhar a janela de madeira
os telhadinhos de tijolos marrons

e sentir
in this heart

e mesmo que sofresse naquele momento
nada se compara a agora
não superei
mas também não me rendi
ainda
converso intuitivamente com você
e você escuta música
e eu sinto o silêncio
que sempre me diz tanto

eu rabisco o tronco da árvore
eu vejo a ponte
eu bebo do copo

eu sinto a pele
eu vejo o sol
eu apago as luzes só para poder
enxergar melhor

em meio a referências perdidas
encontro você e o resto,
o resto que treme

e são todos eles
aqueles que sobem árvores
aqueles que caem
aqueles que sentem

mas então, me diga
quantos símbolos enlaçados
eu ainda vou achar

e o que farei com todos eles
e onde devo enterrá-los
e como posso resgatá-los

e ainda se eu me confio,
eu não vejo
eu só sinto

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Gosto de brincar com meus próprios sentimentos, imaginando o que sentiria se. Hoje, me peguei lembrando de toda a sua alegria, todas as suas piadas incompetentes e doces, de todos os detalhes do seu sorriso jovem e desencontrado, da sua paixão por uma loucura cativante no dia-a-dia dos seus sonhos.

Hoje, me peguei pensando em te reencontrar, daqui vinte anos. E como seria se eu te visse triste, sem nada disso que já tanto te funda, pois há muito isso tudo já se foi. Pensei que seria morte. Não a morte no sentido do padecer da vida; mas morte, ainda assim, das imagens que te compõem e que morarão para sempre na coleção particular de cada um que já te viu assim. Relembrar, o padecer da tristeza.

domingo, 4 de setembro de 2011

Tenho 22 anos e sobre as minhas costas sinto o peso de um piano de todas as minhas escolhas que ecoarão por toda a minha vida.