segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lá pelos meus 16 anos, me lembro de ficar sentado no parapeito da janela da casa da minha tia, sozinho e observando em silêncio a paisagem deslumbrantemente verde. Como aquilo era aberto, vasto e grande! Eu já sabia àquela época que daqui a algum tempo não estaria mais ali. E sabia, para além disso, de maneira intuitiva, que daqui ainda mais alguns anos, estaria mais longe ainda. Intuição. E assim eu me encontrava naquele silêncio de uma verdade sensitiva de mim mesmo.
vem descobrir a cidade comigo
de mãos dadas
e ouvir os lugares vazios

vem descobrir a cidade comigo
sozinho e sem ninguém saber
no ainda escuro da alvorada

vem descobrir a cidade comigo
e me lembrar o que é ser doce
no meu ainda amargo de ser jovem

vem descobrir a cidade comigo
ou um bilhete para qualquer lugar
onde talvez a gente possa chegar

vem descobrir a cidade comigo
e me contar uma história
que eu te acendo um cigarro na boca, estalo seus dedos

vem descobrir a cidade comigo
e agradecer a insônia pelo tempo
sem mesmo sentir vontade de dormir

vem descobrir a cidade comigo
e acabar na minha cama
e acabar na nossa cama

vem descobrir a cidade comigo
que depois eu te dou um banho
e viro água quente descendo pelo seu corpo

vem descobrir a cidade comigo
essa e muitas outras
e ouvir
as cordas vocais do universo vibrando nossos nomes

                                                                                                                .

domingo, 3 de julho de 2011

eu acordo todas as manhãs
escovo os dentes
tomo um banho
tomo meu café e fumo meu cigarro
e vomito

todos os dias eu passeio
e me preocupo com meus amigos
me preocupo em chupar o sangue
me preocupo em gritar de braços abertos
a espera de algo
que não existe e não pode existir

todas as noites eu deito na minha caminha
tão confortável
abraço meu travesseiro preferido
e sangro o nojo de mil dias em silêncio