terça-feira, 28 de junho de 2011

Sou um monstro de fogo ferido que procura machucar.
Meu querido, não tem essa merda de certeza. Os sentimentos são todos falsos. Mais falsos que o Dalí pendurado na sua parede.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

se bate, rebate
se bate, me bate
se bate, debate

me bate, rebate
se bate, se bate
te bate, rebate
debate, me bate

debate, rebate
se bate, me bate

se mate.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

por que se e é pra matar e morrer e não há alternativa, eu tomo as rédeas dessa porra e faço do meu jeito, com a palheta de cores que eu decidir, com a trilha que me vier na cabeça, carregando junto comigo quem eu bem quiser fuder,

eu tomo as rédeas dessa merda e mando tudo a puta que o pariu sem me preocupar nem mesmo com as crases que eu devia ter medido nas pessoas e nas palavras,

eu tomo as rédeas dessa porra e me atiro em um furacão que gira ao contrário, e que me leva e me faz girar como que se quisesse me fazer contemplar tudo e absolutamente tudo apenas por sadismo e tortura por ter que continuar girando sem tocar absolutamente nada,

eu tomo as rédeas de um cavalo cego e sem cabeça, que manca e se levanta em dor quando a ferradura dilacera o passo,
que é forte, que corre,
mas que cai e se rompe como um bibelô de cristal cor-de-rosa o qual ele nunca deveria ter deixado de ser,

porque, sim, das cinzas dos motores fundidos, dos gritos melequentos da multidão ensandecida, do sangue cor de piche que escorrerá pelas mãos dos santos, do coro farfalhento dos pássaros se atirando contra chão,
quando tudo estiver gozando a mais bela catástrofe condensada em treze segundos de pânico,

o além virá.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

And I keep on believing we are accidents waiting to happen

Gaveta de carbono

Cold carbon copied coping

Eu poderia ter passado por essa sem isso. Exatamente porque não são todos que ou escolhem ou tem a ocasião ou se deparam ou se surpreendem ou se desafiam com a idéia de se dar conta de diversos aspectos desconhecidos da própria persona. E são bastante negros, na maioria das vezes. Eu poderia ter passado por essa sem isso, definitivamente. Eu não necessariamente precisava, eu não decididamente queria. E aí, vem aquela velha história de sempre: até que ponto existe escolha nisso? Uma vez aberta a gaveta, é como se fosse inevitável que uma brisa de vento forte fizesse voar todos os retalhos de pergaminhos de carbono, levíssimos, que se espalham pelo ar se derretendo em pó negro. E de repente, o quarto que antes era em tons claros e bem organizados, está impregnado. É aí que as coisas saem do controle. Parece óbvio se dar conta desse acontecido para poder buscar qualquer tipo de superação - seja ela por redenção, arrependimento ou salvação. Se bem que, sinceramente, não creio em todas elas. Acho que simplesmente não há volta. Eu poderia ter passado por essa sem isso. E aí, pergunto qual é a medida da minha autoconsciência nisso tudo? Eu me assusto ainda mais de pensar que existem ainda outras partes negras de mim que me controlam nos outros pedacinhos obscuros que eu já me dei conta. Eu poderia ter passado por essa sem isso, talvez fosse mais fácil. Mas olha, sabe que eu acho que eu não preferiria ter passado por essa sem isso? Com certeza, digo isso pois sinto toda a segurança da coerência disso em relação a quem eu pensei escolher ser, por mais fajuto que isso seja. Acho que está bem assim. Ainda assim. Por mais que a idéia de um conhecimento seja infindável, inacreditável e completamente curta, eu acho que é um bom paradigma dar-se conta de tudo isso e seguir em frente. Eu poderia ter passado por essa sem isso, mas prefiro como está, apesar de tudo. No final das contas, é o preço que se paga ao abrir a gavetinha maldita. E eu tenho vontade de te esfaquear por isso. Ainda assim. Eu tenho vontade de gritar no seu ouvido para ver se algum pedaço de toda essa loucura escura te afeta. Eu tenho vontade de te odiar cada vez mais e mais intensamente e que eu mova montanhas só para atirá-las na sua cabeça até que não sobre mais absolutamente nada. Eu tenho vontade de destruição completa. Um gameover na telinha vermelha escorrendo de sangue. Eu poderia ter passado por essa vida sem isso. Mas acho que está bem assim.