sexta-feira, 21 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

senta escreve e sente
senta vê e fala
senta fica e vem
senta pede e mostra
senta bebe implora
senta vibra e morre
senta ajoelha e seja

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Do mundo dos sonhos,
Do mundo das palavras recortadas,
Do mundo das idéias pulverizadas,
Do mundo das vidas construídas,
Do mundo dos personagens travestidos,
Do mundo meu.

Tentei fazer as pazes com a realidade,
E só enxerguei a merda de tudo,

O peso da poeira,
A dor dos vidros quebrados,
O cheiro das canecas imundas,
O medo da porta que se fecha,
O barulho de um assovio cortante,
O tato do piche escorrendo pelas muralhas,
A falta da saída, a falta da chave,

Me dá licença
que eu vou voltar pro meu castelo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ainda sem saber o que é amar
mas ainda sentindo amor

De uma labareda construída pouco a pouco, e para sempre. De um resto reminiscente que fica. De todos os lados doídos, o retorno. Da força que se faz, pelos planos recortados e pregados na parede. Com tinta azul que escorre pelas muralhas, para poder dizer algo com ternura. Escorre lentamente, meu amor. Escorre lentamente... Sem sentir o que há do lado de lá, mas ainda assim vendo tudo o que poderia ser. Sempre com saudade de um futuro escondido, ainda não vivido, mas só experimentado como um peixe dentro de um copo d'água que espera ser bebido. Esquecendo do resto, pensando no tudo. Sentindo a terra invadir o piso da sala, do quarto, sujando agradavelmente a cama, fazendo lama para ser confortável. Sentindo a presença, ainda que passível de distância, de esquecimento, de se tornar uma memória cristalizada da família que morreu queimada num incêndio de inquietude na casa de madeira, antes mesmo dessa ser construída. 

Reticente, esperando, até quando.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

falta vinho na minha veia
falta música no meu mundo
falta o pedaço do mosaico
falta a beira da navalha

terça-feira, 13 de setembro de 2011

eu me lembro
de sentar na cadeira de metal
olhar a janela de madeira
os telhadinhos de tijolos marrons

e sentir
in this heart

e mesmo que sofresse naquele momento
nada se compara a agora
não superei
mas também não me rendi
ainda
converso intuitivamente com você
e você escuta música
e eu sinto o silêncio
que sempre me diz tanto

eu rabisco o tronco da árvore
eu vejo a ponte
eu bebo do copo

eu sinto a pele
eu vejo o sol
eu apago as luzes só para poder
enxergar melhor

em meio a referências perdidas
encontro você e o resto,
o resto que treme

e são todos eles
aqueles que sobem árvores
aqueles que caem
aqueles que sentem

mas então, me diga
quantos símbolos enlaçados
eu ainda vou achar

e o que farei com todos eles
e onde devo enterrá-los
e como posso resgatá-los

e ainda se eu me confio,
eu não vejo
eu só sinto

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Gosto de brincar com meus próprios sentimentos, imaginando o que sentiria se. Hoje, me peguei lembrando de toda a sua alegria, todas as suas piadas incompetentes e doces, de todos os detalhes do seu sorriso jovem e desencontrado, da sua paixão por uma loucura cativante no dia-a-dia dos seus sonhos.

Hoje, me peguei pensando em te reencontrar, daqui vinte anos. E como seria se eu te visse triste, sem nada disso que já tanto te funda, pois há muito isso tudo já se foi. Pensei que seria morte. Não a morte no sentido do padecer da vida; mas morte, ainda assim, das imagens que te compõem e que morarão para sempre na coleção particular de cada um que já te viu assim. Relembrar, o padecer da tristeza.

domingo, 4 de setembro de 2011

Tenho 22 anos e sobre as minhas costas sinto o peso de um piano de todas as minhas escolhas que ecoarão por toda a minha vida.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cometa

passando pelas vidas e queimando tudo
deixando tudo tonto
pulverizado
e, de repente,
foi

ficaram as cinzas
os ossos
e a toda a carne queimada
refletindo num espelho d'água
que não se move mais

papai, dá pra ver o cometa chegando?
não, filho, a gente só consegue ver a cauda
que queima


papai, posso ter um cometa de estimação no meu quarto?
não, filho, não, eles são muito grandes.


papai, um cometa mata?
se ele cair em cima da sua cabeça,
mata, filho, mata

papai, posso morrer?
pode, filho
toma isso aqui.

Era uma vez um cometa muito bonito e rosa. Ele rodopiava pelo vento do universo carregado de poeira prateada. E aí ele estava se sentindo muito solitário e decidiu dar uma passada pela lanchonete mais próxima e comprar um sanduíche. Comprou e comeu. E nem doeu. Só que depois ele teve dor de barriga e foi cair no planeta destruindo tudo o que havia pela frente. Menos ele mesmo.

Oh, how quiet is it in here, isn't it darling?
No, in fact it's quite noisy.
Oh, what a nice day.

Depois de tudo o que eu te fiz você vem me dizer que o papel higiênico acabou?
Seu nariz sangra por mim e você sabe disso!
Não, meu bem, é só o tempo seco...

Vieni a fare una passeggiata nel bosco con me? Ti prego.
Grazie, ho appena finito di sporcarmi le gambe con la crema di uova e mi sento un po senza forze.
Ah, perfetto, allora ci vado da solo.
Ok, portami un albero. Un albero nero.
Vabbé.

Na verdade, o cometa é só a cabeça da mula-sem-cabeça. Case closed.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lá pelos meus 16 anos, me lembro de ficar sentado no parapeito da janela da casa da minha tia, sozinho e observando em silêncio a paisagem deslumbrantemente verde. Como aquilo era aberto, vasto e grande! Eu já sabia àquela época que daqui a algum tempo não estaria mais ali. E sabia, para além disso, de maneira intuitiva, que daqui ainda mais alguns anos, estaria mais longe ainda. Intuição. E assim eu me encontrava naquele silêncio de uma verdade sensitiva de mim mesmo.
vem descobrir a cidade comigo
de mãos dadas
e ouvir os lugares vazios

vem descobrir a cidade comigo
sozinho e sem ninguém saber
no ainda escuro da alvorada

vem descobrir a cidade comigo
e me lembrar o que é ser doce
no meu ainda amargo de ser jovem

vem descobrir a cidade comigo
ou um bilhete para qualquer lugar
onde talvez a gente possa chegar

vem descobrir a cidade comigo
e me contar uma história
que eu te acendo um cigarro na boca, estalo seus dedos

vem descobrir a cidade comigo
e agradecer a insônia pelo tempo
sem mesmo sentir vontade de dormir

vem descobrir a cidade comigo
e acabar na minha cama
e acabar na nossa cama

vem descobrir a cidade comigo
que depois eu te dou um banho
e viro água quente descendo pelo seu corpo

vem descobrir a cidade comigo
essa e muitas outras
e ouvir
as cordas vocais do universo vibrando nossos nomes

                                                                                                                .

domingo, 3 de julho de 2011

eu acordo todas as manhãs
escovo os dentes
tomo um banho
tomo meu café e fumo meu cigarro
e vomito

todos os dias eu passeio
e me preocupo com meus amigos
me preocupo em chupar o sangue
me preocupo em gritar de braços abertos
a espera de algo
que não existe e não pode existir

todas as noites eu deito na minha caminha
tão confortável
abraço meu travesseiro preferido
e sangro o nojo de mil dias em silêncio

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sou um monstro de fogo ferido que procura machucar.
Meu querido, não tem essa merda de certeza. Os sentimentos são todos falsos. Mais falsos que o Dalí pendurado na sua parede.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

se bate, rebate
se bate, me bate
se bate, debate

me bate, rebate
se bate, se bate
te bate, rebate
debate, me bate

debate, rebate
se bate, me bate

se mate.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

por que se e é pra matar e morrer e não há alternativa, eu tomo as rédeas dessa porra e faço do meu jeito, com a palheta de cores que eu decidir, com a trilha que me vier na cabeça, carregando junto comigo quem eu bem quiser fuder,

eu tomo as rédeas dessa merda e mando tudo a puta que o pariu sem me preocupar nem mesmo com as crases que eu devia ter medido nas pessoas e nas palavras,

eu tomo as rédeas dessa porra e me atiro em um furacão que gira ao contrário, e que me leva e me faz girar como que se quisesse me fazer contemplar tudo e absolutamente tudo apenas por sadismo e tortura por ter que continuar girando sem tocar absolutamente nada,

eu tomo as rédeas de um cavalo cego e sem cabeça, que manca e se levanta em dor quando a ferradura dilacera o passo,
que é forte, que corre,
mas que cai e se rompe como um bibelô de cristal cor-de-rosa o qual ele nunca deveria ter deixado de ser,

porque, sim, das cinzas dos motores fundidos, dos gritos melequentos da multidão ensandecida, do sangue cor de piche que escorrerá pelas mãos dos santos, do coro farfalhento dos pássaros se atirando contra chão,
quando tudo estiver gozando a mais bela catástrofe condensada em treze segundos de pânico,

o além virá.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

And I keep on believing we are accidents waiting to happen

Gaveta de carbono

Cold carbon copied coping

Eu poderia ter passado por essa sem isso. Exatamente porque não são todos que ou escolhem ou tem a ocasião ou se deparam ou se surpreendem ou se desafiam com a idéia de se dar conta de diversos aspectos desconhecidos da própria persona. E são bastante negros, na maioria das vezes. Eu poderia ter passado por essa sem isso, definitivamente. Eu não necessariamente precisava, eu não decididamente queria. E aí, vem aquela velha história de sempre: até que ponto existe escolha nisso? Uma vez aberta a gaveta, é como se fosse inevitável que uma brisa de vento forte fizesse voar todos os retalhos de pergaminhos de carbono, levíssimos, que se espalham pelo ar se derretendo em pó negro. E de repente, o quarto que antes era em tons claros e bem organizados, está impregnado. É aí que as coisas saem do controle. Parece óbvio se dar conta desse acontecido para poder buscar qualquer tipo de superação - seja ela por redenção, arrependimento ou salvação. Se bem que, sinceramente, não creio em todas elas. Acho que simplesmente não há volta. Eu poderia ter passado por essa sem isso. E aí, pergunto qual é a medida da minha autoconsciência nisso tudo? Eu me assusto ainda mais de pensar que existem ainda outras partes negras de mim que me controlam nos outros pedacinhos obscuros que eu já me dei conta. Eu poderia ter passado por essa sem isso, talvez fosse mais fácil. Mas olha, sabe que eu acho que eu não preferiria ter passado por essa sem isso? Com certeza, digo isso pois sinto toda a segurança da coerência disso em relação a quem eu pensei escolher ser, por mais fajuto que isso seja. Acho que está bem assim. Ainda assim. Por mais que a idéia de um conhecimento seja infindável, inacreditável e completamente curta, eu acho que é um bom paradigma dar-se conta de tudo isso e seguir em frente. Eu poderia ter passado por essa sem isso, mas prefiro como está, apesar de tudo. No final das contas, é o preço que se paga ao abrir a gavetinha maldita. E eu tenho vontade de te esfaquear por isso. Ainda assim. Eu tenho vontade de gritar no seu ouvido para ver se algum pedaço de toda essa loucura escura te afeta. Eu tenho vontade de te odiar cada vez mais e mais intensamente e que eu mova montanhas só para atirá-las na sua cabeça até que não sobre mais absolutamente nada. Eu tenho vontade de destruição completa. Um gameover na telinha vermelha escorrendo de sangue. Eu poderia ter passado por essa vida sem isso. Mas acho que está bem assim.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Manifesto de vida e morte

Esse manifesto serve, entre outras coisas, para deixar claro que esse blog terá vida muito curta. Esse manifesto foi escrito em diversas etapas e foi concebido não só como um processo de expressão criativa, bem como empreitada emocional de luta e luto. E isso tudo em relação a mim mesmo. No momento da revisão final desse texto, se passaram já cinco meses desde o início dessa escritura.

Por muito, sustentei outro blog com uma proposta pessoal completamente diversa dessa que tento imprimir aqui hoje. O Persuasio Falsa foi sempre para mim um veículo (ou uma desculpa confortável) para eu dar vazão a minha criatividade da mesma forma que para deixar em panos claros a minha cambiante percepção das coisas que vivo. A vida como cartazes de cinema. Cenas de um filme com toda a sua beleza. Sobretudo, a vida como uma mentira.

Minha relação com a mentira a que me refiro aqui nunca teve cores de desonestidade. Por muito tempo, insisti em ver da aquilo que se vive como algo desinteressante demais, pálido demais, sem magia por demais. Nesse sentido, a mentira para mim passou a ser o mecanismo mais caro que eu jamais tive para fazer da vida uma forma de arte, como dizia Wilde. Tentar ver o que de cinema, música e literatura havia nela – para então poder experimentá-la com maior riqueza. Viver a vida aceitando ela como uma grande cazzata, como uma bela mentira bem contada. Tornei-me, então, um grande iconoclasta, um criativo obsessivo e um paranóico equilibrado.

Essa idéia, então, passou a contaminar não só a forma como eu via, sentia ou fazia as coisas, mas também passou a contaminar a percepção de mim mesmo. Pessoas incorporaram personagens, lugares se revestiram de outros signos, situações e histórias se transmutaram em enredos.

Só hoje me dou conta do peso de toda essa experiência. Mesmo sem me dar conta à época, “decidi” investir a fundo nessa proposta, de mergulhar e experimentar a vida como uma página em branco pronta para conhecer personagens, espaços e tramas. E, principalmente, pronta para ser um espaço de absoluta criação de mim mesmo e de tudo aquilo que me cerca - incluindo indivíduos e a parte deles em mim. E foi aí que eu me perdi.

Tomado por um detalhismo quase que insano - como que se cada pequena migalha devesse ser pensada e encaixada com perfeição absoluta em um conjunto de rabiscos em alto-relevo -, cada elemento dessa formatação foi pensado. Esclareço aqui apenas o elementar, no sentido de que foi o que me inspirou para seguir essa linha tanto na formatação quanto no conteúdo do blog. A imagem de fundo é de um dos pintores que mais me emocionam de todos que conheço, William-Adolphe Bouguereau, do final do século XIX. Suas obras mais reconhecidas – que coincidentemente são as que mais me emocionam – combinam uma estética realista (quase que um impressionismo pelo jogo de luz e sombra levado a perfeição paranóica a ponto de fazer aquilo saltar da tela) com temática mitológica e sacra. O que, às vezes, pode resultar em trabalhos em que o óleo da tela pinga em lágrimas da mesma forma em que podem ser tão impressionantes e envolventes pelo seu horror inaceitável.



Bouguereau tem algo de romântico. Uma vez vi uma entrevista de um crítico de arte que dizia que toda e qualquer produção artística é romântica – justamente pelo foco na emoção em si, fazendo com que tal coisa fosse idealizada durante o processo de criação estética. Ainda não sei se concordo. No entanto, sobre Bouguereau, eu definitivamente acho de alguma forma romântico. Se suas obras fossem filmes, a fotografia e a montagem trabalhariam em conjunto a fim de mergulhar no sentimento de uma cena ali retradada. Grandes seqüências de vários minutos quase que pausados, interrompendo uma ação que deveria ser ágil e fugaz, para tentar capitar a beleza (mesmo que horrenda) daquele segundo, tentando desenhar idiossincrasias e se esforçando para delinear aquela complexidade explosiva. Mas sem jamais conseguir. O mesmo plano fotografado – ou pintado em uma tela – durante muito tempo em que quase não se vêem músculos se movendo, pulmões se exaurindo ou cílios vibrando, realizando um esforço tremendo para dizer, codificar e denunciar tudo aquilo que se passa ali, naquele lugar e com aqueles retratados. Mas nunca consegue. E será sempre assim.

A obra em questão se chama Premier Deuil – e retrata a primeira manhã em que Adão e Eva, ao acordarem, se dão conta da morte de Abel, que fora assassinado pelo seu irmão Cain. Diversos elementos que permeiam tanto essa história quanto o quadro de Bouguereau me chamam a atenção e me colocam em uma situação quase que de arrepio. Em primeiro lugar, a situação da morte de Abel significa o início de uma tragédia quase que anunciada. Contudo, o que importa para mim aqui é a idéia da morte – seja enquanto fim da vida de Abel, seja pelo ato cometido por Cain ou que seja pelo sofrimento desconcertante de Adão e Eva. Enfim, no fim, a morte.

A morte, aqui, encara também um papel criador – contudo, com um sentido absolutamente diverso daquele presente em Persuasio. A idéia de morrer – e matar – com propósitos de mudança, de renascença – como no título. Essa nova concepção, que agora talvez não seja mais tão nova assim, norteou possivelmente a maior crise que eu já tive a oportunidade de experimentar, que, sem sombra de dúvida, ainda não terminou. Morrer em direção a um desconhecido, pela simples vontade de conhecê-lo. Pedaços de mim que eu definitivamente quero e preciso desvelar.

Talvez alguns se questionem dos motivos pelos quais eu tenha “decidido” enfrentar tudo isso, porque eu tenha “desejado” tão ardentemente, a ponto de aceitar cegueiras e pular em buracos muito fundos, toda essa nova concepção, essa mudança. Respondo, antes de mais nada, gritando nos ouvidos das pessoas, dizendo que eu não acredito em livre-arbítrio. Muito mais que isso, eu sequer acredito que fazemos escolhas nesse nível tão abstrato e conceitual ao qual me refiro. No Persuasio Falsa, uma vez postei um texto dizendo que a vida é tão filha-da-puta que ela se deu ao trabalho de pegarem suas mãos o tijolo da “escolha”, triturá-lo e pulverizá-lo no ar, o que faz com que cada um de nós não somente não veja pelo o quê está decidindo, bem como não nos damos conta de quando cada grão entra em nossos pulmões. De qualquer forma, respondo a esse questionamento que me fazem com a metáfora da caixa de Pandora. Pegue essa caixa nas suas mãos e me diga se você conseguiria seguir em frente sem saber o que há dentro. Foi isso o que ocorreu comigo.
E sim, eu aceito o sofrimento, eu aceito as maldições, eu aceito as dores, eu aceito as profecias apoteóticas: mas eu abro a caixa. E eu não poderia crer que deveria ser diferente.

Nesse sentido, esse processo é sim um fim em si mesmo.

O que eu almejo hoje é a experimentação. O que eu almejo hoje é a construção de algo que me tolha dos medos originários e me traga novos medos. O que eu almejo e dar vazão, da maneira mais pura, rica e livre, a esse ímpeto criativo que sempre carreguei e que, agora, percebo que não posso mais seguir em frente sem mover-me de maneira diferente.

Do Persuasio Falsa, o que resta é a minha paixão pela criação. Eu quero acreditar em toda a minha arrogância e ambição criativa, para não ser um expectador – algo que nunca me contentou. Quero ser – ou continuo querendo – ser criador em definitivo. Inclusive de mim mesmo.

Termino de redigir esse texto, gostaria que ele fosse apenas uma página em branco.